Mestre Aurino de Maracangalha

Chula: Eu vi o sol, eu vi a lua clarear
Chamei meu marinheiro que queria viajar
Eu vou remar minha canoa, vou remar
Relativo: vou remar minha canoa devagar, vou remar minha canoa, vou remar!
Chula: Chora viola chora, chora seu cantador
chora comigo chora, tenho sodade do nosso amor
Relativo: oh oh oh, valeu meu pai xangô!..
Aurino

Violeiros do machete – Coordenação Cassio Nobre

Quando perguntado de como o samba entrou na sua vida, ele responde com naturalidade e orgulho: “Herança de família! Meu pai tocava, minha mãe tocava, meu irmão, todo mundo tocava viola, corda! Foi da idade de menino, naquele tempo não tinha viola grande pro samba!” Ainda conta um segredo: sua mãe tocava viola machete porque já vinha da família, dos seus avos e que “Clarindo era irmão da minha mãe, ele fazia viola, vendia muita viola em Maracangalha!”, se referindo a Clarindo Silva, o famoso construtor de viola machete de Santo Amaro que morava e fazia samba na região da Fazenda Santa Elisa. Como outros sambadores revela que não era uma surpresa naquele tempo de uma mulher tocar viola e cantar chula, mesmo que na roda de samba, o lugar da mulher era mas no sapateado. Quando menino, ele acompanhava o pai ate pegar o jeito o que os outros cantadores e tocadores perceberam:

“Porque quando a gente saia pro samba, meu pai levava a gente, chegava lá, ficava espiando, dava viola a um, dava viola a outro, ai, era difícil tomar uma cachaça… dava um vinhozinho pra gente esquentar, primeira vez que nos bebemos, foi dai que viciei… Quando é um dia, alguém falou assim: Toninho, seu menino já da um grito no samba.. e dá cumpadre?…. dá! … Ai peguei a tocar machete, la vai, la vai… Vai muleque pegue um pandeiro e cá um grito ai! … ah não sei não papai, sei não!… Mas ele cantou uma chula do avião e do navio, ouvi ele cantando…”

Quando o avo de Aurino morreu, ele deixou uma concertina que Aurino também aprendeu, mas como o menino queria aprender viola, o pai vendeu a sanfona na feira e comprou uma viola machete e foi aprender a dar um grito! Quando chegava cansado do trabalho, começou a tocar e cantar o que não era difícil naquele tempo, até porque toda hora tinha um convite para caruru na casa de alguém, quase duas vezes por semana, assim fazendo samba de viola de casa em casa.

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